20181214 CristianeFranco AberturaSemanaDoacaoMedulaOssea abre
Fotos: Cristiane Franco
Faltando alguns minutos para o meio-dia, a equipe que atua na unidade móvel do Hemocentro de Porto Alegre, presente nesta sexta-feira (14) em Esteio, comemorava a captação de 100 novos doadores de medula óssea para o banco de doadores do Rio Grande do Sul. A ação fez parte do lançamento oficial da Semana de Mobilização Nacional para a Doação de Medula Óssea, realizada na Rua Garibaldi (Rua Coberta). O evento contou com as presenças do prefeito Leonardo Pascoal, do ex-deputado federal, Beto Albuquerque, autor da Lei Pietro (Lei Federal nº 11.930/2009) que institui a semana, o presidente da Câmara de Vereadores, Sandro Severo, e o vice-prefeito, Jaime da Rosa, e a ONG Amigos do Nick.

 

Pascoal, que na infância também foi acometido por uma das variações da leucemia, contou a experiência que a família passou e o quanto aprendeu vendo crianças da mesma idade falecerem, por não terem a chance de um transplante pela falta de doadores de medula. “Aos 8 anos tive leucemia e meu caso não era necessário o transplante, o tratamento foi quimioterápico. Entre tratamento e acompanhamento, foram 11 anos indo e vindo ao Hospital da Criança Santo Antônio. Vi muitas crianças irem a óbito pela falta de tempo que a doença, em estágio mais agudo, provoca”, disse.

 

Pascoal contou que, na época, o tratamento era diferente do que é hoje, assim como o acesso à informação. “O número de doadores cadastrados era infinitamente menor. O gráfico apresentado hoje, começa em 2007, quando já havia 500 mil doadores. Eu fui diagnosticado em 1998, quando certamente esse número era infinitamente menor, a realidade dos hospitais era diferente e a mortalidade maior. Não tínhamos sequer informações como temos hoje. Graças a coragem de pessoas como o Beto, como a Lilian, que hoje essa realidade já é diferente. Mas ainda é preciso trabalhar muito para que as pessoas tenham acesso à informação e se acabe com o medo das pessoas em fazer o seu cadastro”, afirmou. “Hoje Esteio dá a sua colaboração para essa campanha linda e que possibilita trazer uma nova chance de vida para as pessoas”.

 

Beto Albuquerque falou sobre a importância da doação voluntária de medula óssea na luta contra a leucemia e contou o porquê do interesse em promover uma ação como essa. Em 3 de fevereiro de 2009, ele perdeu o filho Pietro Albuquerque, vítima da doença. "Nenhum pai deveria enterrar um filho. Não é esta a ordem cronológica. No entanto, me conforta que possamos construir um trabalho em conjunto para evitar que outras pessoas passem pelo que nós passamos", afirmou.

 

O ex-deputado mostrou dados do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), que indicam a média de cadastros no Centro-Oeste, onde a campanha precisa avançar, em relação ao Sul e ao Sudoeste do país. "Há um grande crescimento de doações de 2007 até 2018, de 554 mil para 4, 7 milhões em todo o Brasil. Precisamos seguir em frente para salvar mais vidas", disse. Beto lembrou que a leucemia é uma doença grave, que leva à morte e depende da solidariedade das pessoas se cadastrarem no banco de dados para a possibilidade de transplante de medula óssea. Falou ainda da importância da campanha atingir as mais diferentes etnias, para que o banco realmente esteja preparado para atender a todos. “O Brasil é muito grande. Nosso maior volume de doadores está no Sul e no Sudeste, mas outras regiões, com outras características genéticas diferentes, precisam estar presentes no cadastro. Essa é a nossa luta: para que todos tenham acesso à chance de sobreviver”, disse.

 

O presidente da Câmara de Vereadores, Sandro Severo, reforçou a necessidade de mobilizar toda a comunidade. "É um gesto de solidariedade e muitas pessoas dependem deste cadastro. Encontrar um doador compatível é o sonho de muitos pacientes. Agradeço de coração o envolvimento dos moradores de Esteio", enfatizou.

 

Aos 56 anos, Maria Madalena Viana estava realizada ao fazer seu cadastro no Redome. Sentada na cadeira de coleta, ela ligou para a filha para contar a novidade. “Há muito tempo tenho vontade de fazer meu cadastro como doadora de medula, mas nunca conseguia ir ao Hemocentro. Quando vi o ônibus estacionado aqui, atravessei correndo e fiz meu cadastro. Não custa nada, é super rápido e eu sei que posso salvar a vida de alguém”, afirmou.

 

Seja doador

Segundo dados do Redome, o Brasil tem cerca 4,7 milhões de cadastrados para doação de medula, contra 15 milhões dos Estados Unidos. Em 2017, pouco mais de 280 mil novas pessoas se dispuseram a doar, o pior número dos últimos três anos. De 2015 pra cá, os novos cadastros só vêm caindo. Em relação a 2016, a queda foi de 14%.

 

Para ser um doador, é necessário ter entre 18 e 54 anos e levar RG e CPF. Não há peso mínimo para fazer a doação, e ter diabetes ou pressão alta não impede o ato. Durante o procedimento são colhidos 10 ml de sangue para o teste de compatibilidade (HLA). Caso surja um paciente compatível, o voluntário será novamente chamado para testes sanguíneos e avaliação do estado de saúde atual.

 

Encontrar um doador de medula óssea compatível que não seja da família é difícil, ainda mais pelo fato de poucas pessoas se voluntariarem para a causa, principalmente por falta de informação. Segundo dados fornecidos pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), há 2,5 milhões possíveis doadores no Brasil para atender cerca de 1,8 mil pacientes, mas o índice de compatibilidade é de um para cada 100 mil pessoas.

 

Texto: Cristiane Franco

 

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