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Fotos: Eduardo Baratto Leonardi
Uma ideia surgida no Centro Municipal de Educação Básica (CMEB) Alberto Pasqualini está concorrendo ao prêmio do 11º concurso internacional “Produtos de Apoio (Ajudas Técnicas/Tecnologia Assistida) e Soluções de Baixo Custo”. A professora Audrei Silveira idealizou, em conjunto à coordenadora do Centro Municipal de Educação Inclusiva (Cemei), Cátia Vaz, uma luva adaptada para permitir que Luiz Felipe de Souza Alvarenga, aluno da escola com Síndrome Cornélia de Lange (CdLS), pudesse ter mais autonomia em atividades práticas. O acessório auxilia o estudante de 13 anos, que ingressou no Pasqualini em 2014 e hoje está no 5º ano, a fixar objetos como talheres, para se alimentar, pinceis e lápis e até permite que ele toque instrumentos de percussão.

Audrei ingressou no Pasqualini em 2017 e Luiz foi um dos primeiros alunos que atendeu na sala de recursos. “O objetivo era ajudar ele a quebrar barreiras e conquistar mais autonomia nas suas práticas diárias. Focamos o trabalho nos membros superiores do Luiz, para ver se ele conseguia se alimentar sozinho”, comentou. A partir daí, ela teve a ideia de desenvolver a luva. “Apresentei a proposta para a diretoria e depois conversei com a fisioterapeuta e a coordenação do Cemei. Recebi a autorização e comecei a pesquisar para fazer o molde ideal, que tipo de tecido usar”, explicou. A solução foi usar o neoprene. “Precisava de um material para ser usado diariamente, durável, antialérgico e lavável”, argumentou a professora.

Para tirar o projeto do papel, o investimento necessário foi muito baixo. Bastou comprar um pedaço de neoprene, linha e velcro. A luva foi confeccionada pela costureira Maria Alvina Barbosa da Silva, a Vica, que é cunhada da vice-diretora do CMEB Alberto Pasqualini, Lola Rodrigues. “Questionei se ela faria e ela se dispôs a vir até a escola, tirou as medidas e costurou. Nós tentamos utilizar vários recursos disponíveis, mas nada encaixava bem para ele. Era preciso uma solução mais personalizada”, comentou Lola.

O resultado apareceu antes mesmo do esperado. “Em dois meses, ele atingiu o nosso objetivo, de conseguir levar a colher até a boca. A partir daí, com treino e repetição, o movimento ficou melhor e ele, mais independente. Fizemos uma outra luva para ele ter em casa e praticar com a família. Hoje ele já segura pincel, giz de cera e outros materiais em sala de aula”, destacou Audrei.

As mudanças com o uso do equipamento são perceptíveis. “Ele é outra criança em comparação a quando entrou aqui. Nosso desafio sempre foi estimulá-lo a fazer mais, ver o que ele consegue fazer, utilizando a sala de recursos e com o apoio do Cemei. Nesse processo, hoje ele já se comunica, mostra quando está feliz, reage quando conversamos com ele. Com a luva, ele evoluiu muito mais”, explicou a vice-diretora.


Terceiro projeto mais votado
A inscrição no concurso foi consequência do estímulo de Cátia. É a primeira vez que o Brasil concorre e só dois projetos do país foram listados. A iniciativa acabou sendo a terceira mais votada em eleição promovida na Internet pelos organizadores do prêmio.

O concurso “Produtos de Apoio (Ajudas Técnicas/Tecnologia Assistida) e Soluções de Baixo Custo” é promovido por quatro instituições: Sociedad Española para el Desarrollo de Sistemas de Comunicación Aumentativos y Alternativos (Esaac-Espanha), Centro de Desarrollo de Tecnologías de Inclusión de la Escuela de Psicología de la Pontificia Universidad Católica de Chile (Cedetiuc/PUC-Chile), Unidad de Investigación y Desarrollo para la Calidad de la Educación en Ingeniería con orientación al uso de TIC del Área Departamental Electrotecnia - Facultad de Ingeniería - Universiada Nacional de La Plata (Unitec/UNLP-Argentina) e Núcleo de Tecnologia Assistiva – Tecnologias na Educação para a Inclusão e Aprendizagem em Sociedade – Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação. da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Teias/Cinted/Ufrgs-Brasil).

O valor total a ser distribuído é de 2,1 mil euros. Os vencedores serão conhecidos no Encontro Internacional de Tecnologias de Baixo Custo, que será realizado entre 12 e 14 de julho, na cidade de Albacete, na Espanha (mais informações sobre o prêmio podem ser acessadas no site www.esaac.es).

Conforme Audrei, o objetivo agora é buscar parcerias para aperfeiçoar ainda mais a luva. O mais importante, para ela, neste momento, é ver Luiz Felipe quebrando as barreiras impostas pela Síndrome Cornélia de Lange, doença caracterizada pelo atraso de crescimento e do desenvolvimento psicomotor, alterações comportamentais e malformações. “Ele é um orgulho para mim. A síndrome que ele tem é muito rara, afeta tanto fisica quanto intelectualmente. Agora o Luiz tem a possibilidade de realizar coisas que, antes, alguém tinha que fazer para ele”, celebrou.


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Texto: Eduardo Baratto Leonardi