20180504 JeanMonteiro EntregaCasaConteiner abre
Fotos: Jean Monteiro
O projeto-piloto da Prefeitura de Esteio, que utilizará contêineres como moradia, teve a entrega da primeira casa nesta sexta-feira (4). A dona de casa Neuza Cardoso, 55 anos, morou às margens do Arroio Sapucaia por quase 30 anos e, agora, tem como residência fixa o número 1426, na Avenida Porto Alegre. A medida é parte de uma experiência que a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SMDUH) fará buscando a melhor alternativa aos kits moradia de madeira atualmente utilizados em reassentamentos.

 

O prefeito Leonardo Pascoal ressaltou alguns pontos que levaram ao projeto. “O que estamos vendo hoje é a transformação de uma ideia em realidade. Tínhamos 16 famílias vivendo com o aluguel social e todas elas iam até a Prefeitura perguntar quando teriam a tão sonhada casa própria. Todos os municípios sofrem com algum tipo de problema em relação à moradia, mas a construção de novas casas tem muita burocracia e demanda certo tempo. Os contêineres estão presentes no dia a dia de muitas formas. São lojas, restaurantes e escritórios feitos com esse material, que trazem mais economia e segurança. Pensar neles com uso residencial é uma alternativa viável e que pode nos ajudar a dar moradia para esta e outras 15 famílias”, apontou.

 

Marcelo Kohlrausch, titular da SMDUH, destacou as qualidades da moradia-contêiner. “Esse novo kit tem diversas vantagens em relação ao antigo. Ele tem mais durabilidade, é sustentável e economicamente viável. O trabalho rápido que as equipes da montagem tiveram é um belo exemplo de modernidade. A Dona Neuza terá uma residência digna e de excelente qualidade”, afirmou.

 

O primeiro contêiner-moradia foi uma doação do Grupo Colmeia, especializado no uso de contêineres e módulos habitáveis com diversas aplicações. Júlio Cezar Delfino, diretor da empresa, comentou o processo de elaboração do projeto. “Quando apresentei a ideia para a equipe, pedi a eles uma atenção especial, por conta da finalidade que seria dada à casa. Exportamos este mesmo modelo para diversas localidades, mas nunca tivemos a oportunidade de firmar uma parceria com órgãos públicos. Graças a esta parceria com a Prefeitura, pudemos ajudar e fazer o bem para a sociedade”, disse.

 

Depois da solenidade, Neuza pegou as chaves e entrou pela primeira vez em seu novo lar. A casa onde ela morava, às margens do Arroio Sapucaia, havia desabado e, desde então, recebia aluguel social. A realização do sonho de ter um espaço próprio que não colocasse a família em risco finalmente se tornou possível. Segundo Neuza, antes de ser removida da beira do arroio, não havia descanso em noites de chuvas fortes. “Sempre que começava a chuva era um momento de desespero para mim, familiares e vizinhos. Todos se preparavam para erguer os móveis e salvar o que desse. Até que há dois anos, fui retirada e posta no aluguel social. Quando a Prefeitura me chamou e contou sobre a ideia fiquei com o pé atrás, nunca tinha visto. Mas quando passei aqui durante a semana e vi a casa sendo montada foi paixão à primeira vista. É a realização de um sonho e graças a Prefeitura ele está sendo possível”, explicou. Durante o projeto-piloto, assistentes sociais da SMDUH vão acompanhar a família de dona Neuza e verificar sua opinião em relação a questões sobre a qualidade da estrutura, adequação, comodidade e conforto.

 

O custo estimado de cada unidade do contêiner-moradia é de R$ 35 mil. Ele tem uma área de 27,6 m², com pé-direito de 2,5 m. As paredes são isotérmicas, ou seja, isolam a residência de excessos de calor ou de frio. Em comparação, o kit de madeira atualmente utilizado custa R$ 25 mil, mas tem um espaço menor (21 m²) e demanda mais recursos para conservação e manutenção. Já os investimentos em aluguel social giram em torno aos R$ 11 mil por mês para a Prefeitura. Outros benefícios da casa-contêiner são a sustentabilidade, pelo fato de ser uma obra limpa, com redução de entulho e de uso de recursos naturais como areia, madeira e água, e a praticidade, pela flexibilidade e agilidade na montagem, feita em até 60 dias.

 

Texto: Jean Monteiro

 

gallery1 gallery1 gallery1
gallery1 gallery1 gallery1
gallery1 gallery1 gallery1
gallery1 gallery1 gallery1