20161118 AndreCardoso ExposicaoSemanaConscienciaNegra abre
Fotos: André Cardoso e Thierre Cósta
O preconceito sofrido pelo povo negro e sua cultura são os temas de uma exposição organizada na Casa de Cultura Lufredina Araújo Gaya, como parte da programação de Esteio para a Semana da Consciência Negra. Bonecas negras e a história das máscaras africanas e das princesas africanas são alguns dos trabalhos expostos, produzidos por alunos dos centros municipais de Educação Básica (CMEBs) de Esteio. A exposição permanecerá no local até terça-feira (22), final da programação da Semana na cidade.

Manhã foi de aula de história sobre cultura negra
Cantigas e histórias da cultura negra foram apresentadas, na manhã desta sexta-feira (18), a turmas do maternal da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Colorindo o Aprender. A atividade foi conduzida pelo Griô* aprendiz de Mestre Xico Júlio Cezar dos Santos, 50 anos. Durante o encontro as crianças ouviram histórias típicas do folclore africano como “Galinha de Angola” e “Azizi”, contadas pelo boneco Sebastião. Além disso, dançaram e cantaram ao som do tambor e do afoxé.

“É importante trazer essas tradições aos alunos e pais e mostrar a eles que a diversidade é muito grande. Como educadores, devemos cultivar essas histórias e conversar com os estudantes sobre as diferentes culturas”, destacou a supervisora Maria Lecenir Schroeder Pineiro, 46 anos.

A programação da Semana da Consciência Negra de Esteio segue neste sábado (19) com uma oficina de turbantes, ministrada pela ativista Sandra Figueiredo, para as mulheres que passarem pela Rua Garibaldi (Rua Coberta). A atividade começa às 9h.

Semana da Consciência Negra
Em 20 de novembro é celebrado no Brasil o Dia da Consciência Negra. A data foi escolhida como uma homenagem a Zumbi dos Palmares, que morreu neste dia, em 1695, lutando pela liberdade do seu povo no Brasil. Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, foi um personagem que dedicou a sua vida lutando contra a escravatura no período do Brasil Colonial, onde os escravos começaram a ser introduzidos por volta de 1594. Um quilombo é uma região que tinha como função lutar contra as doutrinas escravistas e também de conservar elementos da cultura africana no Brasil.


Semana da Consciência Negra de Esteio

Sábado (19)
9h - Turbantaço
Local: Rua Coberta (Rua Garibaldi)

Domingo (20)
17h - Roda de Capoeira Aberta e Sarau Negro (Música/Poesia)
18h - Marietti Fialho & Cia. Luxuosa/Negra Jaque
Local: Av. do Carnaval (Av. Governador Ernesto Dornelles)

Segunda-feira (21)
19h - Seminário de Periferia
Tema: Extermínio da Juventude
MC Garden e representantes do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compier)
Local: Câmara de Vereadores de Esteio (Rua 24 de Agosto, 535)

Terça-feira (22)
19h - Sessão solene em homenagem ao afrodescendente (Personalidades Negras das Comunidades Escolares e Referências Negras do Município de Esteio)
Local: Câmara de Vereadores (R. 24 de Agosto, 535 - Centro)

*O que é griô
O termo griô é universalizante, porque ele é um abrasileiramento do termo griot, que por sua vez define um arcabouço imenso do universo da tradição oral africana. É uma corruptela da palavra “Creole”, ou seja, Crioulo a língua geral dos negros na diáspora africana. Foi uma recriação do termo gritadores, reinventado pelos portugueses quando viam os griôs gritando em praça pública. Foi utilizado pelos estudantes afrodescendentes que estudavam na língua francesa para sintetizar milhares de definições que abarca.

O termo griô tem origem nos músicos, genealogistas, poetas e comunicadores sociais, mediadores da transmissão oral, bibliotecas vivas de todas as histórias, os saberes e fazeres da tradição, sábios da tradição oral que representam nações, famílias e grupos de um universo cultural fundado na oralidade, onde o livro não tem papel social prioritário, e guardam a história e as ciências das comunidades, das regiões e do país. Na África, existem termos em cada grupo étnico: Dioma, Dieli, Funa, Rafuma, Baba, Mabadi… Os primeiros povos do Brasil também reconhecem no termo a definição de um lugar social e político na comunidade para transmissão oral dos seus saberes e fazeres, a exemplo dos Kaingang do Sul, dos Tupinambá das Aldeias Tukun e Serra Negra (BA) e os Pankararu de Pernambuco, os Macuxi em Roraima, e tantos outros que participam da Rede Ação Griô Nacional contam sobre os Morubixabas, Kanhgág Kanhró… e o Griô contempla todos. 

Fonte: Lei Griô Nacional (www.leigrionacional.org.br)


Texto: André Cardoso e Thierre Cósta

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